ONIRISMO E MEDIUNIDADE: A REALIDADE DA ALMA NO SONO
- Categoria: Mediunidade, Reflexão
O primeiro passo é entender o que é onirismo para poder conceituar a sua abrangência dentro da perspectiva espiritual. Onirismo advém do grego ὄνειρος (óneiros) e refere-se – de forma ampla – ao universo do sonho e a tudo o que é onírico.
Dentro da psicologia, entende-se que o onirismo é um processo mental, uma função cerebral que organiza dados e emoções. Entretanto, para a perspectiva espiritual e mediúnica, o onirismo é muito mais do que isso. Ele é encarado como uma atividade real da consciência superior ou do Espírito em estado de Emancipação da Alma do corpo físico. O sono, dentro dessa perspectiva, é a janela para a realidade espiritual.
A Emancipação da Alma: A Lei da Liberdade
É um fato: toda vez que dormimos, conseguimos emancipar – ou seja, libertar – nossa alma do veículo material. Entretanto, poucos têm a capacidade de manter a lucidez nesse processo.
Esse estado de semilibertação permite que o espírito se desloque, pense e interaja com o plano espiritual e seus habitantes, assim como com o plano material, operando em sua verdadeira natureza como ser espiritual. O espírito nesse estado pode:
- Visitar locais físicos e centros de aprendizado.
- Reencontrar entes desencarnados e encarnados (que também estão em desdobramento).
- Participar de trabalhos e missões espirituais.
- Visitar locais físicos para assuntar o que está acontecendo naquele local.
- E muitas outras coisas…
Nesse estado, a potencialidade do espírito desperta de forma muito mais abrangente do que no estado de vigília. Desta forma, o espírito é capaz de manifestar determinados fenômenos que não consegue quando desperto, sendo até mesmo capaz de prever o futuro imediato e receber mensagens diretas, além do contato com outras entidades espirituais.
Decodificando a Mensagem: O Onirismo Mediúnico
O grande porém é que muitos sonhos parecem desconexos e até fantasiosos, gerando confusão na interpretação do que se vivenciou. Surge, então, a questão: como diferenciar o processamento cerebral de uma experiência onírica mediúnica de fato?
Cada pessoa tem sua forma de perceber essa distinção. No meu caso, por exemplo, sonhos coloridos são vivências espirituais reais, enquanto sonhos sem cores são apenas o processamento cerebral de informações.
Quando despertos, a dificuldade na compreensão das mensagens ocorre porque, embora o espírito tenha suas potencialidades despertadas, o cérebro humano – material – não tem capacidade de processamento para tal. Ele tenta, então, dar um jeito para que a pessoa entenda, procurando sempre coisas conhecidas ou criando glitches que parecem apenas fantasia dentro do processo onírico.
Sendo assim, é perfeitamente possível para o espírito treinado ter uma lucidez e conseguir resgatar mensagens dos seus sonhos como um oráculo. Mas é necessário ter parcimônia e discernimento para não falar bobagens ou acreditar em tudo.
Exu Tiriri da Calunga: O Guardião da Travessia Noturna
Eu tenho uma manifestação onírica muito frequente. Isso se deve ao meu Exu Tutelar, Sr. Tiriri da Calunga, que tem uma predileção por esses processos em função da sua própria natureza calungueira. Ele adora se manifestar por sonho na vida das pessoas, levando mensagens e, muitas vezes, utilizando a minha roupagem física para se apresentar e ser reconhecido. Isso permite a fácil associação e compreensão da mensagem pelo receptor.
O termo Calunga não designa, como muitos pensam, apenas mar ou cemitério, mas sim o limiar entre a morte e a vida — a intercessão entre os planos. É a linha horizontal que separa os dois mundos da Dikenga: Nseke (o mundo físico) e Mpemba (o mundo espiritual).
Desta forma, nem todos os “Tiriris” terão essa característica onírica, apenas os que são da falange “Da Calunga”. Exu Tiriri da Calunga se manifesta como aquele que abre o portal entre os mundos, sendo o Senhor da Vidência, capaz de transmitir mensagens de forma direta, o que o associa ao Hermes Grego ou Mercúrio Romano.
O Pano de Fundo: Exu, Deuses e a Fronteira do Sono
A comparação entre Exu Tiriri da Calunga, Hermes, Mercúrio, Hipnos e Morfeu, embora oriundos de panteões distintos, elucida as funções essenciais que mapeiam o caminho da alma durante o sono.
O grego Hermes e o romano Mercúrio são os Mensageiros dos Deuses e atuam como Psicopompos, focados em conduzir as almas dos mortos aos reinos subterrâneos (Hades ou Inferno). Sua atuação é a da viagem final, rompendo o laço vital.
Hipnos é o Deus do Sono (a condição de repouso) que permite a emancipação da alma. Seu filho, Morfeu, é o Deus dos Sonhos, cuja função é moldar o conteúdo onírico e a forma da mensagem.
O grande fato é: Enquanto Hermes e Mercúrio são psicopompos que guiam as almas que não vão retornar, Tiriri da Calunga é o Guardião do Desdobramento — ele protege a alma que vai voltar ao corpo.
Sua atuação na Calunga confere-lhe autoridade sobre o limiar entre a vida e o astral. Ele é a sentinela que protege o cordão de prata, garantindo que o espírito do encarnado possa transitar, aprender e, crucialmente, retornar em segurança sem ser atacado por obsessores ou ter sua energia drenada.
Tiriri não apenas protege, mas atua na comunicação da Lei. Ele pode entrar no sonho (função próxima à de Morfeu, mas com foco na segurança e na ordem) para entregar alertas diretos e orientações de trabalho necessárias para o progressso do espírito.
O Onirismo exige tanto a condição de sono (Hipnos) quanto o conteúdo (Morfeu). Mas, na visão da Macumba, ele exige, acima de tudo, o Guardião da Porta. Exu Tiriri da Calunga é a força que assegura a ordem e o equilíbrio durante essa travessia noturna, permitindo que a experiência do desprendimento seja uma ferramenta de evolução e não um portal para o perigo.



